Flexibilização da posse e porte de armas divide opiniões em Vilhena

A flexibilização da posse e do porte de armas tem dividido opiniões em Vilhena.

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A flexibilização da posse e do porte de armas tem dividido opiniões em Vilhena. Em janeiro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que altera regras para facilitar a posse de armas de fogo com a possibilidade de o cidadão guardar o equipamento na residência ou no estabelecimento comercial de que seja dono. É a primeira medida do presidente em relação ao compromisso de campanha de armar a população, mas ele ainda tentará futuramente flexibilizar o próprio porte de armas.

A cada ano aumenta a violência no Brasil. O país registra a cada ano cerca de 60 mil mortes causadas por armas de fogo, revela um estudo realizado pelo Instituto Igarapé, uma organização não governamental com sede no Rio de Janeiro. Entre as razões para a banalização dos crimes estão à desigualdade social, o desemprego, a baixa escolaridade, a urbanização rápida e irregular, o tráfico de drogas e o comércio ilegal de armas.

Em Vilhena e Chupinguaia, municípios que pertencem à mesma comarca judicial, os números da violência não param de crescer. Para se ter ideia em 2017 ocorreram 39 assassinados. Já em 2018 foram registrados 52 homicídios.Muitas pessoas vêem na flexibilização do porte de armas a solução para enfrentar a criminalidade. Já outras criticaram e afirma que a medida contribuirá para aumento da violência.

O massacre que aconteceu na quarta-feira, 13, de março na escola de Suzano, em São Paulo, onde cinco alunos, uma coordenadora pedagógica, uma funcionária da escola e um funcionário de uma locadora de veículos foram assassinados por dois atiradores que se suicidaram após os crimes, dividiu a opinião de políticos e da população a respeito da política de flexibilização da posse e do porte de armas. Justamente pelo fato de que no Brasil não são registrados muitos casos como este pela política de controle de arma em vigor no país.

Pessoas de todo o país consternados com a dor dos pais e familiares das vítimas do massacre da escola de Suzano começaram a questionar nas redes sociais se a flexibilização do porte de armas pode contribuir para o aumento da violência no país e também de casos como este.

O pintor Samir Guilhermon não acha uma boa ideia facilitar o acesso às armas, pois acredita que as pessoas não estão psicologicamente preparadas para andar armadas. "As pessoas já são desequilibradas naturalmente, sem arma, agora com arma na mão uma simples briga pode se transformar em um homicídio e piorar situação que já não está boa, aumentado assim a violência", ressalta Samir Guilhermon.

Opinião compartilhada pelo servidor público, Aremilson Elias de Oliveira que também acredita que os índices de violência não vão reduzir com a população armada.

Já o vendedor Eliseu Vieira acredita que a flexibilização do porte de armas vai contribuir para a segurança de sua família, mas salientou que as pessoas devem ter responsabilidade. "Sou a favor, desde que sejam respeitados critérios de aprovação e concessão do porte de armas. O Estado é falho e omisso, não tem conseguido proporcionar a segurança que a população precisa", disse o vendedor.

Para o agricultor José da Silva o cidadão brasileiro tem o direito de se defender e que, com a mudança, o bandido vai pensar duas vezes antes de invadir uma casa. "Temos que ter o direito de defender nossa família", salientou o agricultor.

O estudante de agronomia, Wagner Machado discorda e afirma que para reduzir a violência e melhorar o Brasil é preciso investir na educação.

É o que pensa também a assistente social Michely Toledo que afirma que o poder público não pode passar para a sociedade uma obrigação que é dele de garantir a segurança pública."Acredito que o nosso país precisa investir na educação, saúde e lazer. As pessoas não precisam de arma, precisam de segurança pública", finaliza a assistente social. 

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