De vítima à ré: menor que denunciou falso estupro vai responder judicialmente pela ação

  A garota confessou ter inventado o caso após ter deixado de ir para a escola

FOTO: Divulgação / Delegada Solangela Guimarães alerta para denúncias falsas: "é preciso ter responsabilidade"

 Uma denúncia grave feita no final de maio passado fez com que a DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) paralisasse as investigações dos cerca de 1.300 processos em andamento na unidade policial a fim de centras atenção para o crime: uma garota com então 14 anos declarou ter sido sequestrada por três homens e estuprada por um deles quando estava a caminho da escola. No entanto, exames físicos e diligências encontraram diversas contradições na denúncia, e a garota acabou confessando ter inventando tudo. Ela deverá ser alvo de um Procedimento de Apuração de Ato Infracional e está sujeita a medidas socioeducativas.

O caso mobilizou a polícia dado a gravidade da denúncia. Em entrevista coletiva nesta terça-feira a delegada titular da Especializada, Solangela Guimarães, explicou que todos os casos de denúncia são apurados partindo do princípio que são verídicos, e neste caso houve uma certa urgência de elucidar os fatos o mais rápido possível, pois poderia ser uma situação que colocaria outras crianças e mulheres em risco.

Mas, na verdade tudo não passou de fantasia de uma adolescente que provavelmente enfrenta problemas emocionais. Ela não foi à escola naquele dia, e ao chegar na casa do namorado fora de horário, com a família à sua procura, acabou criando a história, que dada a dimensão foi registrada na delegacia. O problema é que a denúncia falsa causou a mobilização de vários órgãos institucionais relacionados ao assunto, prejudicando o andamento de dezenas de casos. "É preciso que os pais e as pessoas em geral tenham responsabilidade ao levar este tipo de denúncia às autoridades", disse a delegada.

A adolescente, que completou 15 anos no domingo, 09, responderá por comunicação falsa de crime. Haverá instauração de um PAAI (Procedimento de Apuração de Ato Infracional), que é encaminhado do Ministério Público e depois deve vir audiência na Vara da Infância e Juventude. A justiça decidirá se a garota sofrerá aplicação de medida socioeducativa, que pode ser determinada pela promotoria. Apesar do ato infracional a jovem está recebendo apoio psicológico de órgãos competentes.

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