“Corretivo” em suposto ladrão terminou em assassinato

O crime aconteceu no mês passado, no Bairro São José

FOTO: Mario Quevedo / Delegado Núbio Lopes de Oliveira: mais um caso de homicídio foi solucionado na cidade

Um botijão de gás. Esse foi o preço da vida de Lucas Gabriel de Oliveira Lima, que completaria 19 anos em novembro próximo e possuía um histórico de vida um tanto complicado, espancado violentamente por dois pedreiros na noite de 20 de junho passado. Ele era suspeito de ter arrombado a casa de um dos homens que o agrediu para roubar uma botija de gás. Os acusados confessaram o crime e colaboraram com as investigações, por isso permanecerão em liberdade até o julgamento.

Segundo o titular da Delegacia de Homicídios de Vilhena, Núbio Lopes de Oliveira, era perto das dez horas da noite naquela data quando o Lucas foi encontrado na Avenida Sete de Setembro, no São José. Ele estava desacordado, com a cabeça mergulhada numa poça de sangue. Levado ao Hospital Regional, foi transferido em seguida para Cacoal dada a gravidade dos ferimentos. Não resistiu e acabou morrendo.

Para desvendar o caso a polícia contou com depoimento de uma testemunha, um segurança que percorre o bairro de motocicleta e viu a agressão, mas não pôde intervir exceto avisando a Polícia Militar. Ele falou que o rapaz estava sendo espancado por dois homens, que o chamavam de ladrão e diziam estar dando uma lição. A partir daí os agentes do SEVIC foram puxando a meada e descobriram que dias antes de apanhar Lucas foi acusado por um pedreiro que mora também no bairro de ter lhe roubado um botijão de gás.

O homem, de prenome "Eduardo", foi localizado pela polícia e ao ser ouvido relatou ter feito "investigações" sobre o roubo que sofreu, chegando a conclusão que Lucas era o ladrão. Ele ficou mais convicto ainda depois de interpelar o suspeito que não negou o fato, mas teria dito que o outro tinha que provar sua culpa. Dias foram se passando, com Lucas cada vez mais revoltado com o suposto ladrão, a ponto de comentar o caso praticamente o tempo todo com um colega de trabalho, chamado "Messias".

Na noite do crime os dois pedreiros estavam bebendo num bar do bairro quando Lucas apareceu para fazer compras. Segundo eles, houve um entrevero na ocasião, com o suspeito mais uma vez desdenhando da suposta vítima. Foi a gota d'água. Eduardo e Messias seguiram Lucas, e resolveram dar o corretivo. O problema foi terem exagerado na dose, e batido apenas na cabeça do rapaz. Eles negaram a intenção de matar, mas de acordo com o delegado, as agirem desta forma assumiram o risco disso acontecer, o que no jargão jurídico é denominado dolo eventual.

Em virtude da colaboração e por terem demonstrado arrependimento, os dois acusados tiveram seus sobrenomes preservados pela polícia, e foram indiciados por homicídio simples, sem terem prisão preventiva decretada. Ambos não possuem antecedentes, tem endereço fixo e conhecido, por isso no entender do delegado não oferecem risco à sociedade. 

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