Trajetórias opostas: cronista esportivo avalia desempenhos de times de Vilhena no Estadual

As diferenças dos clubes vilhenenses no campeonato rondoniense 2019

Clube vilhenense, finalista no estadual (Foto: Divulgação)

A pedido da reportagem do RO Notícias, o jornalista Rogério Perucci, referência da crônica esportiva local e estadual, analisa o desempenho do Barcelona e do Vilhenense na edição deste ano do Campeonato Estadual e explica porque o primeiro foi rebaixado e o outro está na final do torneio.

AS DIFERENÇAS DOS CLUBES VILHENENSES NO CAMPEONATO RONDONIENSE 2019.

Com dois representantes no Campeonato Rondoniense 2019, a cidade de Vilhena figura pelo terceiro ano seguido entre as cidades com clubes brigando pelo título do Estadual. Mas, a grama não é assim tão verde, afinal a cidade também sofreu um rebaixamento este ano.

Analisando os dois clubes de Vilhena no Estadual 2019, o que ficou evidente é que planejamento e administração eficiente, faz a diferença dentro e fora de campo. Ambientes que, ao contrário do que muitos defendem, não se anulam. Pelo contrário, são complementares. A forma como as coisas acontecem nos bastidores tem reflexos no gramado.

Uma atitude transparente por parte da diretoria em relação aos atletas; folha salarial em dia, e condições de trabalho, são ingredientes primordiais para uma boa campanha, claro, aliada a uma boa comissão técnica e a escolha do elenco.

Clube Barcelona (Vilhena) (Foto: Divulgação)

Com base nestas considerações, podemos apontar alguns pontos que diferenciaram o finalista Vilhenense e o rebaixado Barcelona.

Mas, primeiro vamos aos números de cada um deles na fase classificatória. O Vilhenense em oito jogos venceu seis, empatou um, e perdeu um. Somou 19 pontos dos 24 possíveis. Marcou 15 gols e sofreu 7. Já o Barcelona, empatou uma, e perdeu 7 das oito partidas disputadas, somou um ponto dos 24 possíveis. Foi rebaixado tomando 18 gols e marcando apenas cinco, levando os "títulos" de pior ataque e pior defesa do campeonato.

Vamos às diferenças. O Vilhenense presidido pelo empresário Valdir Kurtz, iniciou em 2018 os trabalhos para a temporada 2019. Contratou para o comando técnico Tiago Batizoco, que nos últimos três anos esteve entre os semifinalistas do Campeonato chegando a decisão em 2017 e 2018 com o Barcelona. A comissão técnica tem ainda o experiente preparador físico Leonardo Coelho e o excelente preparador de goleiros Gilson Santana.

Outro acerto: a formação do elenco decidida em conjunto entra departamento de futebol e comissão técnica. O que resultou em um elenco que mescla a experiência de atletas como Edilsinho e Junior Porto, a força de Nick e Lagoa, a vitalidade de Tuquinha e Ariel, e apostas como China e Cartilagem, autores dos gols da classificação da equipe para a final; e ainda com nomes com nomes como Bertozzi e Pablo que ao lado de Tuquinha compõem a cota de atletas de Vilhena.

Com um centro de treinamento a disposição assegurando a tranquilidade para a realização dos trabalhos iniciados ainda em 2018, fortalecido por uma logística programada a fim de assegurar aos atletas conforto e descanso antes das partidas fora de casa, o Vilhenense foi construindo os resultados e agora, no seu segundo ano de fundação, está a 180 minutos do título. Independente da conquista do título, o Vilhenense tem assegurado para 2020 a participação na Copa Verde e Brasileirão Série D. Caso venha o título, o time representará Rondônia na Copa do Brasil e Série D do ano que vem. 

A realidade do Barcelona foi bem diferente. Ainda buscando pagar dívidas da temporada 2018, o presidente José Luiz Pereira firmou parceria com uma empresa do Rio de Janeiro, numa espécie de arrendamento do departamento de futebol do clube. Segundo o presidente, tudo ficaria por conta dessa empresa. Da formação do elenco e escolha da comissão técnica ao pagamento de salários e demais despesas do clube.

O time foi formado e fez toda a pré-temporada no Rio, desembarcando em Vilhena dez dias antes do início do Estadual. Quase quarenta atletas foram trazidos. Na sua grande maioria amadores e cujos registros profissionais precisaram ser feitos, gerando despesas. Muitos dos atletas sequer entraram no BID.

Sem centro de treinamento, o Barcelona fazia seus trabalhos em um campo improvisado, com dimensões reduzidas, atrás das arquibancadas do Estádio Portal da Amazônia. Nos jogos fora de casa a equipe viajava no mesmo dia, a fim de economizar em hospedagem e alimentação. O fato dos atletas não terem um período de descanso após as viagens, pode ter interferido nos resultados dos jogos.

Após a quarta derrota, o gestor do clube viajou para o Rio de Janeiro e não retornou mais. Trocou-se o treinador: saiu Marcio Maurício e chegou Huberlan Silva. Mas, nada mudou. Na última rodada um empate em casa salvaria o Barcelona, mas o time foi goleado por 4 a 1. Rebaixamento e todo o elenco retornou ao Rio de Janeiro.

Aquela máxima de que "futebol se resolve dentro das quatro linhas" é válida para uma partida, quando se fala em um campeonato, uma temporada, ou ao crescimento de um clube, tanto em relação a títulos, quanto em relação ao financeiro, o prevalece é o planejamento. Fator presente na campanha do Vilhensense este ano, e que passou longe do Barcelona.

Veja mais notícias sobre Esportes.

Veja também: