“Segundo Natal” decepciona comerciantes do centro da cidade

O Dia das Mães teve vendas abaixo da expectativa este ano  

Foto: Mario Quevedo / Associação Comercial de Vilhena constata queda nas vendas

Aquela que é considerada a segunda data festiva mais importante do comércio brasileiro foi um fracasso em Vilhena. Apesar das promoções, investimentos em decoração e lançamento de produtos, os comerciantes ficaram decepcionados com o resultado das vendas, que não apenas deixaram de atingir as projeções feitas com antecedência, como pode ter tido queda de desempenho em diversos setores. "Vários fatores contribuíram para este cenário, mas a insegurança de empresários e clientes com relação ao momento econômico e político do país é um dado importante para avaliar o que aconteceu com as vendas do Dia das Mães em Vilhena este ano", diz Aléxia Maciel, Executiva da Associação Comercial e Industrial de Vilhena (ACIV).

Segundo ela, a meta dos comerciantes vilhenenses era vender pelo menos 2,5% a mais do que o mesmo período do ano passado, mas isso ficou longe de acontecer. "Posso dizer com segurança que esta projeção não se confirmou, mas ainda não tenho dados para estabelecer o patamar de vendas do Dia da Mães este ano. No entanto, é possível que tenha ocorrido retração", destacou a especialista. Ela acredita que os mais prejudicados foram comércios que não dispõe de crediário próprio. "Quem depende de bandeiras de cartões de credito para compras a prazo vendeu menos este ano", afirma.


Agregando centenas de empreendimentos de diversos setores produtivos do Município, a ACIV é uma vitrine importante para avaliação da atividade econômica na cidade, por isso suas avaliações são significativas. Numa avaliação prévia do que pode ter motivado a queda nas vendas Aléxia fala sobre o momento político/econômico do país, onde a insegurança impera. "A gente percebe por parte do empresariado que apostou no atual presidente uma certa decepção com a demora de apresentação de resultados dos compromissos de campanha. As pessoas não compreenderam que não se reverte um quadro de crise aguda como a que o país viveu nos últimos anos de uma hora para a outra", argumenta.

Outro fator que pode ter influenciado no mau desempenho do comércio seria a indefinição da reforma da Previdência. Os pensionistas compõem importante fatia do mercado consumidor, e todos estão evitando o endividamento ou gasto de reservas monetárias enquanto não estiver claro como é que vai ficar a questão das aposentadorias.

Por outro lado, a instalação de grandes redes nacionais de lojas na cidade ou o comércio on line não teria sido causador de impacto negativo no comércio. "Os empresários já aceitam o modelo de comércio das grandes redes, estão preparados e capacitados para enfrentar este tipo de concorrência, e dispõe de ferramentas de atendimento e fidelização da clientela que equilibra a competição. No caso do web-comércio, os clientes já entenderam que o valor do frete a pagar em comprar fora da cidade na maioria das vezes não compensa", explica.

A queda nas vendas do Dia das Mães, pelo menos na área comercial do centro da cidade, acendeu a luz de alerta entre os associados da ACIV e já está tendo impacto nas projeções de negócios da feira agropecuária a ser realizada no meio do ano. "Aquele otimismo exacerbado arrefeceu, o comerciante está mais cauteloso e com os pés no chão, e agora o lema é observar o mercado, planejar estratégias de negócios e, principalmente, valorizar o cliente através de atendimento diferenciado, bons produtos, melhores condições de pagamento e, evidentemente, preços competitivos", finalizou a Executiva. 

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