Empresários de Vilhena intimam governo de RO e ameaçam não cumprir medidas restritivas no comércio a partir do próximo sábado

Texto é publicado e compartilhado mesmo após município viver pior dia da pandemia

Por meio de uma carta aberta destinada ao Governo de Rondônia, além do chefe do executivo municipal (Eduardo Japonês – PV) e vereadores, empresários de Vilhena e região manifestam insatisfação em relação às novas restrições impostas pelo decreto estadual 25.589, publicado em 6 de março.

"Informarmos que a partir do dia 20 de março de 2021, não aceitaremos e muito menos seguiremos qualquer decreto que impeça qualquer pessoa no Município de Vilhena de exercer seu Direito Constitucional da Livre Iniciativa (Art. 1o, IV, CF e Art. 170, CF)."

– diz um trecho do texto que desafia a autoridade do governo e ignora parâmetros de saúde estabelecidos para conter o avanço do novo coronavírus, que já matou 3.519 rondonienses e quase 300 mil pessoas em todo o país.

Leia o texto na íntegra:

CARTA ABERTA DOS EMPRESÁRIOS DE VILHENA E REGIÃO

"Ao Sr. governador do estado Marcos Rocha e ao Prefeito Eduardo Japonês ,Vereadores, Comitê de Contingência doCoronavírus e ao povo Vilhenense.

Informarmos que a partir do dia 20de março de 2021, não aceitaremos e muito menos seguiremos qualquer decreto que impeça qualquer pessoa no Município de Vilhena de exercer seu Direito Constitucional da Livre Iniciativa (Art. 1o, IV, CF e Art. 170, CF).

Qualquer novo decreto que impeça o trabalho irá comprometer outro Direito Constitucional, o da Dignidade da Pessoa Humana (Art. 1o, III, CF) seja para Empresários, Colaboradores, Funcionários Públicos, Aposentados e outros, pois, além de inviabilizar a continuidade de atividades, demissão em massa, quem tem seus proventos sofrerá com enorme redução em virtude da inflação no preço dos produtos.

Pedimos que o Sr. Prefeito, Vereadores e Comitê de Combate ao Covid que esqueçam a política e adotem o tratamento precoce, transparência da vacinação e verbas, façam investimentos na área da saúde, aumento de leitos, insumos, estoque de medicamentos, EPIs, dentre outros que garantam atendimento médico a todos, bem como a fiscalização contínua de festas clandestinas, churrascos e aglomerações.

Reiteramos que Distanciamento Social não é sinônimo de Proibição do Trabalho e Fechamento de Atividades, tendo em vista que 90% do comércio e serviços do Município não possuem aglomerações, devido a crise financeira. Dentro das lojas do centro, ou bairros, são raras as que possuem vários compradores simultâneos e as que possuem, devem controlar os acessos.

Por fim, reiteramos ao Sr Prefeito que não iremos seguir qualquer decreto que impeça o trabalho a partir do dia 20 do mês de março de 2021 e pede que não sejam editados decretos neste sentido, pois a abertura não será uma opção do Sr Prefeito, mas do povo Vilhenense contra os decretos e a fiscalização, ante a situação, iremos praticar a legítima defesa (Art. 25 do Código Penal), pois estaremos defendendo nossas famílias, nossos amigos, nossos colaboradores, todo cidadão Vilhenense e nosso patrimônio.

Pedimos diálogo, honestidade, bom senso e que afastem-se do espectro político, permitindo o povo trabalhar, para que evitemos enfrentamentos desnecessários que possam causar danos, quaisquer que sejam entre quem precisa trabalhar e agente da administração pública, seja na legislação, ou fiscalização.

Queremos a paz, saúde e acima de tudo, que todos sejam livres. Atenciosamente, Empresários de Vilhena."
Foto: Rômulo Azevedo/Gazeta Amazônica

Em resposta ao RO Notícias, a Associação Comercial de Vilhena, ACIV, diz não ter relação com o texto publicado e suas centenas de compartilhamentos em redes sociais e aplicativos de mensagens, alegando que o conteúdo da carta aberta é muito parecido com o de vários outros compartilhados em nome de grupos de empresários de diversas cidades e estados brasileiros.

"Não sabemos dizer se algum empresário achou o texto interessante e apenas fez alterações para compartilhar." – explica Eduardo dos Santos, secretário da ACIV.

"A ACIV é favorável à abertura comercial. Apesar disso representar o sentimento do comércio, não há como chegar ao responsável pela carta. Não sabemos se partiu de um grupo ou de apenas um específico esmpresário."

– ressalta.

O secretário ainda lembra que apesar de a instituição apoiar que os estabelecimentos permaneçam abertos, prefere fazer isso de forma segura, respeitando as medidas impostas, e, que todas as decisões tomadas pela ACIV são assinadas de maneira oficial, encaminhadas para a imprensa e publicadas em seus canais oficiais.

O Governo de Rondônia ainda não se posicionou publicamente sobre o texto. 

NÚMEROS DA PANDEMIA EM VILHENA

O maior município do Cone-Sul registrou até 17/03:

9.250 infectados;
149 óbitos;
616 casos ativos;
8.841 curados; e
23 pacientes transferidos.

Apenas no último dia, a secretaria de saúde da cidade confirmou 7 mortes e novos 39 diagnósticos para covid-19, divulgando que foi o pior dia da pandemia desde a notificação do primeiro caso suspeito. Com ocupação do UTI no limite, 18 estão entubados, sendo que 11 deles não se enquadram no grupo de risco.


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