Vilhenenses buscam na prostituição sobrevivência e a realização de sonhos

prostituio-1

Muitas mulheres, travestis e homens encontram na prostituição uma forma de sobrevivência.

Vilhenenses buscam na prostituição sobrevivência e a realização de sonhos (Fotos: Redação)

Em Vilhena, muitas mulheres, travestis e homens encontram na prostituição uma forma de sobrevivência e também de realizar os sonhos na profissão que é considerada a mais antiga do mundo. Os programas custam em média entre R$100 a R$500 e de acordo com os profissionais que trabalham no ramo tem muita procura.

O contato dos clientes com os profissionais de sexo no município acontece de várias formas, seja por sites onde são anunciados com fotos os preços dos programas, ou as salas de bate papo na internet e também nos bares e ruas e avenidas da cidade.

A garota de programa Natalia de 25 anos, conta que prefere agendar os clientes através de um site na internet. "A vida está muito corrida não dá para ir para rua ficar procurando cliente. É melhor agendar pela internet, pois aí só vem procurar realmente quem está afim de um momento de prazer, sem falar que é mais seguro que as ruas, que tem tanta violência. Agendo e faço os programas no motel isso evita problemas", revela Natalia que trabalha há dois anos como garota de programa e cobra R$250 por programa.

A vida noturna é também um meio para que meninas alcancem seus sonhos.

"Sempre sonhei em cursar direito, mas minha família não tinha condições de pagar a faculdade e com o dinheiro que ganho dos programas consigo ajudar nas despesas de casa e também pagar minha faculdade", 

conta a jovem Paty, de 23 anos, que há dois anos faz programas em Vilhena.

Paty conta que ganha cerca de R$4 mil por mês com os programas e que já viveu varias situações inusitadas no trabalho. "Tem cliente que pede para eu bater nele ou apenas quer conversar. Sou contratada para dar prazer para eles, mas se eu também posso sentir prazer aproveito a oportunidade", fala a jovem.

Já a profissional do sexo Vânia, de 45 anos, revela que seu sonho é encontrar um grande amor e parar de se prostituir. Ela conta que começou a fazer programa há 10 anos quando se separou do esposo e não conseguiu arrumar outro emprego. 

"Na época precisava de dinheiro e não conseguia emprego e encontrei na prostituição o meu sustento, mas agora quero parar em breve",

fala Vânia.

Mas a prostituição não está apenas entre mulheres. Muitos homens também vêem o trabalho como forma de garantir o seu sustento. Marcos, de 24 anos, conta que desde os 18 anos consegue dinheiro saindo com homens mais velhos.

"Minha família descobriu que eu era gay, e após uma briga com meu pai, tive que sair de casa. Fiquei morando com amigos e passei a conseguir clientes via aplicativos de internet. Hoje pago meus estudos com esse dinheiro, mas depois que me formar espero arrumar outro trabalho",

comentou o jovem que cobra R$150 por programa.

Já o jovem Lucas, de 22 anos, que conta atende homens e mulheres. Ele disse que faz em média cerca sete programas por semana e chega a faturar mais de R$3 mil por mês. "Atendo homens e mulheres com discrição, respeito e muito carinho", fala Lucas.

O bairro Bodanese é escolhido por muitas travestis como local para encontrar os clientes. Elas enfrentam os perigos da noite na busca pela sobrevivência e dos sonhos.

A travesti Nicole que trabalha há cinco anos conta que em média, consegue faturar R$ 3 mil por mês e seus clientes são todos homens. A procura, segundo ela é grande. Nicole revela que utiliza o dinheiro que ganha com os programas para poder realizar o sonho de transformar seu corpo. 

"Já fiz várias plásticas, coloquei silicone na bunda, nos seios e quero trabalhar para conseguir ficar cada vez mais feminina",

conta ela.

A travesti salienta que a falta de oportunidades a encaminhou para a prostituição. "É um lado difícil. Nós as travestis somos rejeitadas na sociedade. Trabalhamos na noite porque não conseguimos outras oportunidades desde a escola até o mercado de trabalho. Assim, é o que sobra para fazermos. A prostituição não é vida para ninguém. Nem para homem, nem para mulher, muito menos para travesti o bom seria se todos pudessem ter acesso a estudo, educação uma profissão e não precisasse vender seu corpo para poder realizar seus sonhos", declarou.

Observação: Os nomes citados na reportagem foram alterados, garantindo assim o respeito à imagem das fontes que se comprometeram a colaborar, relatando suas experiências.

Veja mais notícias sobre Brasil.

Veja também:

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://www.ronoticias.com.br/