Seca no Pantanal gera aglomeração impressionante de jacarés em açude; veja

Em entrevista, o doutor em Ecologia e tenente-coronel da Polícia Militar Ambiental (PMA-MS) Ednilson Paulino Queiroz afirmou que, apesar de impressionante, a cena não é rara. 

Aglomeração de jacarés na fazenda Palmeirinha, em Nhecolândia Foto: Reprodução

Um produtor rural da região da Nhecolândia, área do pantanal em Mato Grosso do Sul, registrou em vídeo uma aglomeração de jacarés que surpreende pela quantidade de animais reunidos em uma área praticamente seca.

As imagens foram registradas no último domingo, em um dos açudes da fazenda Palmeirinha, e as falas do produtor mostram a surpresa dele com o cenário encontrado. "Estamos preocupados, pois, este era o último açude com água. Durante todo o tempo que moro no Pantanal, nunca vi tanto jacaré junto num lugar só", diz ele no vídeo, surpreso ainda com o gado atolado no mesmo açude.

De acordo com a assessoria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Pantanal), uma equipe de pesquisadores se deslocou até a fazenda Palmeirinha para analisar com mais detalhes, os motivos da aglomeração dos jacarés.

Em entrevista, o doutor em Ecologia e tenente-coronel da Polícia Militar Ambiental (PMA-MS) Ednilson Paulino Queiroz afirmou que, apesar de impressionante, a cena não é rara.

"A situação observada na propriedade rural não é atípica, especialmente na época de seca, como a que enfrentamos nos últimos meses. Esses animais têm características ectodérmicas, o que significa dizer que precisam de água para equilibrar a temperatura corporal", explicou ele.

Segundo o especialista, na época da seca, é comum os animais migrarem para lagoas e açudes, em busca de água e alimento.

"O fato aconteceu porque o açude secou, já que os jacarés podem conviver pacificamente. No entanto, quando faltam condições de sobrevivência podem acontecer duas situações: o controle populacional e o canibalismo, que são instintos de preservação da espécie."

Queiroz acrescentou que as chuvas registradas nas primeiras semanas de novembro devem devolver o equilíbrio ao local. "O acontecimento é decorrente da estiagem intensa observada nos últimos meses, porém, as chuvas ocorridas nas primeiras semanas de novembro devem reestabelecer o equilíbrio e encher o açude", afirmou.

Ecossistema complexo

O Pantanal é uma área de planície localizada na Bacia do Alto Paraguai, com cerca de 160 mil quilômetros quadrados, distribuídos nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além dos países vizinhos, Bolívia e Paraguai. Por se tratar da maior área úmida do planeta foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade.

A alta complexidade do Pantanal é decorrente do encontro de diferentes biomas, como o Cerrado e Chaco, por exemplo. Além disso, foram catalogados no local 3.500 espécies de plantas, 550 aves, 124 mamíferos, 260 espécies de peixes de água doce, além de 80 tipos de répteis, como é o caso do jacaré.

Na região da Nhecolândia, a estação da seca tem duração de quatro meses por ano e o local representa 19% da porção sul-mato-grossense. Normalmente, a área apresenta inundações (lagos e açudes) influenciadas pelas características do relevo, solo e lençol freático.

Segundo informações da ONG SOS Pantanal, as principais ameaças ao ecossistema acontecem pelo desenvolvimento e manejo inadequado de terras para agropecuária, crescimento urbano e populacional, seguido de obras de infraestrutura como rodovias, barragens, portos e hidrovias.

Fonte: UOL

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