Moradores em situação de rua morrem durante noite mais fria do ano no Centro de São Paulo

De acordo com o Inmet, a mínima na capital paulista foi de 5,3°C na madrugada desta quinta-feira (29). Segundo a Polícia Militar, a vítima faleceu após passar mal. 

Morador de rua se protege do frio Centro da cidade de São Paulo, nesta segunda feira (24) — Foto: Rogério Galasse/Estadão Conteúdo

Um morador em situação de rua morreu durante a noite mais fria do ano na cidade de São Paulo. O caso aconteceu na última quarta-feira (28), no bairro do Pari, na região central da capital.

Os termômetros marcaram 5,3ºC às 8h no Mirante de Santana, na Zona Norte de São Paulo, local de aferição oficial do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Mais cedo, às 7h, a temperatura já tinha batido o recorde dos últimos 5 anos, quando registrou 6ºC.

Segundo a medição do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura de São Paulo (CGE), a temperatura média foi de 4,7°C. O recorde anterior era de 5,4°C, no dia 20 de julho.

Flávio Bastos tinha 65 anos e, de acordo com o Movimento Estadual da População de Rua de São Paulo, o óbito aconteceu em razão da exposição ao frio. A Polícia Militar afirmou que a vítima morreu após passar mal.

Flávio foi atendido na Rua Araguaia por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e um médico constatou o óbito.

"A prefeitura, sabendo que o inverno existe todos os anos, e cada vez mais rigoroso, só deixa para tomar providência quase no fim. Essas tendas que eles colocaram é para a população de rua? Não. Se estiver chovendo, a população de rua vai tomar sopa onde? Na chuva. Há um desconexo entre atendimento e proteção", apontou Robson Mendonça, presidente do movimento.

"É um pequeno avanço, mas eu acho que deveriam ter aberto, além do metrô, escolas, clubes, essas coisas que poderiam receber até um pouco melhor", completou ele.

Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, em entrevista à BBC Brasil, e o Movimento Estadual da População de Rua de São Paulo, afirmam que ao menos mais duas mortes ocorreram na madrugada desta quinta (29).

Frio recorde mobiliza gestores

  

Metrô Dom Pedro II abrigou moradores de rua na madrugada desta quinta, 29 de julho, durante frente fria histórica.

A Prefeitura de São Paulo montou cinco tendas na cidade para distribuir sopa, cobertores, agasalhos e kits de higiene à população em situação de rua.

A previsão da administração municipal é fornecer cinco mil pratos de sopa por noite e distribuir 3,2 toneladas de agasalhos e cobertores oferecidos numa parceria com a Cruz Vermelha.

As tendas também terão atendimento médico e ônibus disponíveis para quem quiser pernoitar nos centros de acolhida da capital.

O governo de São Paulo anunciou na quarta (28) que a estação Dom Pedro II, da Linha 3-Vermelha do Metrô, vai funcionar como abrigo para pessoas em situação de rua nos próximos dias.

A estrutura montada no local terá capacidade para acolher até 400 pessoas e será destinada apenas a homens. O espaço vai funcionar de quarta (28) até sábado (31), sempre das 20h até as 8h do dia seguinte.

Fonte: G1 

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